segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A educação e a fábrica de corpos: a dança na escola

Resolvi iniciar as postagens no blog com um trecho do texto de Marcia Strazzacappa que nos traz alguns questionamentos que seguem ao final do texto.



Introdução: O corpo no espaço escolar
O indivíduo age no mundo através de seu corpo, mais especificamente através do movimento. É o movimento corporal que possibilita às pessoas se comunicarem, trabalharem, aprenderem, sentirem o mundo e serem sentidos. No entanto, há um preconceito contra o movimento. Solange Arruda, na introdução de seu livro Arte do movimento, afirma que "é mais chic, educado, correto, civilizado e intelectual permanecer rígido. Os adultos, em sua maioria, não se movimentam e reprimem a soltura das crianças."1 Isso começa em casa e se prolonga na escola.
Embora conscientes de que o corpo é o veículo através do qual o indivíduo se expressa, o movimento corporal humano acaba ficando dentro da escola, restrito a momentos precisos como as aulas de educação física e o horário do recreio. Nas demais atividades em sala, a criança deve permanecer sentada em sua cadeira, em silêncio e olhando para a frente. Ciro Giordano Bruni afirmava a esse respeito que "virou quase regra estabelecer entre a arte e a ciência uma lastimável distinção: a primeira se aprende como uma atividade lúdica e a segunda, de uma maneira séria e constrangedora."2 Sua crítica não se fixa apenas na questão da ausência do lúdico nas disciplinas científicas da escola, mas também na ausência de seriedade nas disciplinas artísticas, comportamento que tende a acentuar a visão de que o ensino de arte é supérfluo.
A noção de disciplina na escola sempre foi entendida como "não-movimento". As crianças educadas e comportadas eram aquelas que simplesmente não se moviam. O modelo escolar-militar da primeira metade do século XX era aplicado desde o momento em que a criança chegava na escola. As filas por ordem de tamanho para se dirigirem às salas de aula, o levantar-se cada vez que o diretor ou supervisor de ensino entrava na sala etc. Atualmente, são raros os estabelecimentos escolares que mantêm este tipo de atitude, encontrado ainda apenas em escolas de cunho religioso e em algumas escolas públicas de cidades pequenas do interior do estado. Nas escolas da rede pública das grandes cidades, esta realidade já não existe. Apesar da ausência destas atitudes disciplinares, a idéia do não-movimento como conceito de bom-comportamento prevalece. Muitas escolas aboliram as filas e os demais símbolos de respeito a diretores e professores; no entanto, foram criadas outras maneiras de se limitar o corpo.
O movimento corporal sempre funcionou como uma moeda de troca. Se observarmos brevemente as atitudes disciplinares que continuam sendo utilizadas hoje em dia nas escolas, percebemos que não nos diferenciamos muito das famosas "palmatórias" da época de nossos avós. Professores e diretores lançam mão da imobilidade física como punição e da liberdade de se movimentar como prêmio. Constantemente, os alunos indisciplinados (lembrando que muitas vezes o que define uma criança indisciplinada é exatamente o seu excesso de movimento) são impedidos de realizar atividades no pátio, seja através da proibição de usufruir do horário do recreio, seja através do impedimento de participar da aula de educação física, enquanto que aquele que se comporta pode ir ao pátio mais cedo para brincar. Estas atitudes evidenciam que o movimento é sinônimo de prazer e a imobilidade, de desconforto.
Os cursos de Educação Artística, cujo caráter "menos formal" poderiam possibilitar uma maior mobilidade das crianças em sala de aula, tendem a priorizar os trabalhos em artes plásticas (desenho, pintura e algumas vezes escultura), atividades onde o aluno acaba tendo de permanecer sentado. Embora a LDB 9394/96 garanta o ensino de Arte como componente curricular obrigatório da Educação Básica representado por várias linguagens – música, dança, teatro e artes visuais –, raramente a dança, a expressão corporal, a mímica, a música e o teatro são abordados, seja pela falta de especialistas da área nas escolas, seja pelo despreparo do professor.
Apesar destas atitudes estarem muito presentes, algumas experiências (que caminham exatamente no sentido oposto) têm nos mostrado o quanto o movimento pode contribuir para se criar no espaço escolar um outro ambiente. A introdução de atividades corporais artísticas na escola, ou seja, a realização de trabalhos de dança-educativa ou dança-expressiva, como são comumente chamadas (embora não goste muito destes nomes, afinal, toda dança é educativa e expressiva), tem mudado significativamente as atitudes de crianças e professores na escola. A dança no espaço escolar busca o desenvolvimento não apenas das capacidades motoras das crianças e adolescentes, como de suas capacidades imaginativas e criativas. As atividades de dança se diferenciam daquelas normalmente propostas pela educação física, pois não caracterizam o corpo da criança como um apanhado de alavancas e articulações do tecnicismo esportivo, nem apresentam um caráter competitivo, comumente presente nos jogos desportivos. Ao contrário, o corpo expressa suas emoções e estas podem ser compartilhadas com outras crianças que participam de uma coreografia de grupo.

A dança e seus diferentes fins
Quando se fala em dança na escola, milhares de imagens começam a povoar nossas mentes. Afinal, de que dança estamos falando? Ao chegarmos nas instituições, costumamos interrogar as crianças e os adolescentes sobre sua compreensão de dança. É interessante observar que, se há alguns anos atrás, a primeira imagem que vinha à mente destes jovens era a figura da bailarina clássica nas pontas dos pés, hoje essa imagem (embora ainda presente) já está sendo substituída por outras trazidas pela mídia. As respostas variam entre as dançarinas do "Tchan" e algumas pop stars norte-americanas (nota-se a predominância da figura feminina). Quando interrogados, então, sobre o que querem aprender numa aula de dança, as respostas se multiplicam, indo do ballet clássico às danças de rua.



Como podemoa enteder a relação corpo/escola segundo o texto?

Você concorda com a Relação existente entre poucos movimentos=disciplina excesso de movimentos=indiscplina?

È possível a dança ser um intrumento de enfretamento a indisciplina na escola?

Mas é essa a função da dança na escola?



Bom ficam aí algumas perguntas que vamos juntos buscando respostas.



Acesso ao texto na integra http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32622001000100005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt#nt08

2 comentários:

  1. Achei seu Blog muito interessante,ainda + pq fui a primeira a acessar...Bjs e boa sorte cm sua idéias...

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  2. Ola Ana..
    Estou me formando este ano em Ed.Física
    meu tcc foi sobre a importância da expressão corporal na escola para o deselvolvimento da criatividade e formação socio cultural dos alunos. Já q atividades ritmicas expressivas é um dos conteúdos no curriculo basico (AMOP)para a disciplina de Educação Fisica. Li muito Erika Verderi e Rodolf Laban. Constatei q os profissionias da area na minha cidade estão pouco preparados para este conteúdo, sente-se inseguros e apresentam dificuldade com a própria expressão, também pudera mais afundo percebi que alguns destes nunca tiveram nunhum estimulo para tal. Quando se trata em dança na escola, muitos me responderam que trabalham a quadrilha na festa junina como dança folclorica. E quando perguntei a algumas crianças se gostavam dessa dança, me responderam: "Ah é facil, a gente já sabe, todo ano é a mesma coisa" "É e o bom é que a gente mata aula pra ensair" Lástimavel, mas real. Estou pensando em fazer pós em arte educação, gosto destas areas expressivas, faço teatro e evolui muito com ele, creio fortemente que as artes como forma de expressão ajudam na formação e libertam não apenas o corpo mas também a mente!
    Muito interessante sua proposta neste blog como espaço para discussão da tematica.
    Sempre que possível tentarei contribuir, claro se vc assim me permitir! E também trocarmos experiencias (embora penso que vc as tenha mais do que eu) Enfim Positividade expressiva pra 2009 em nossas vidas!!
    Abraço \o/(Evelyn C. Anevão) Evynevao@hotmail.com

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